O Ecólogo Carlos Eduardo Germano popularmente conhecido por "Duda" que recentemente foi aprovado para o curso de Mestrado em Ecologia aqui no Campus IV da UFPB em Rio Tinto-PB, gentilmente falou de suas pesquisas acadêmicas e que estas investigações científicas podem contribuir com as questões socioambientais presentes me nosso município. Abaixo segue uma pesquisa sobre as serpentes que popularmente são conhecidas por "cobras".
A IMPORTÂNCIA DE SE
PRESERVAR AS COBRAS
A importância que as cobras possuem
é um valor bastante desconhecido, visto que a população não dispõe de
informações adequadas e essenciais sobre esses indivíduos, o que permite que a
visão equivocada se transmita de gerações em gerações.
As
serpentes (ou cobras como são popularmente conhecidas) pertencem à classe dos
répteis e é um dos grupos de animais mais diversificados e distribuídos no
globo terrestre. O Brasil possui atualmente 381 espécies segundo a Sociedade
Brasileira de Herpetologia (SBH). Por se tratar de animais com uma morfologia
única, corpo alongado e sem membros, as serpentes se diferenciaram e se
adaptaram para viver nos mais variados ambientes, sendo encontradas em todos os
continentes com exceção dos polos “gelados”.
Existem
espécies que são arbóreas ou semi-arbóreas, terrestres, aquáticas ou
semi-aquáticas, fossoriais (cavam seus próprios buracos no solo) e criptozoica
(vivem embaixo de restos vegetais no solo ou utilizam buracos pré-existentes). Todas
as serpentes são carnívoras e se alimentam de uma grande variedade de presas
vivas como anfíbios (sapos, rãs, pererecas...), mamíferos (ratos, macacos, morcegos...),
Aves, invertebrados (insetos, lesmas...), entre outros, inclusive de outras
cobras.
Mas porque não
devemos matar as cobras? O temor a esse animal é tão antigo quanto a existência
das civilizações. A própria bíblia faz referências hostis. Entretanto, como
todo animal silvestre, as serpentes também exercem o seu papel ecológico, além
de social e cultural. Além de servir de alimento para uma gama de predadores, elas
são responsáveis pelo controle populacional de animais que podem oferecer
riscos sanitários ou econômicos caso tornem-se pragas (aumento descontrolado no
número de indivíduos) como algumas espécies de insetos para a agricultura e de
ratos para os humanos, por exemplo. Além disso, o veneno produzido por esses
animais serve de matéria-prima para muitos medicamentos da indústria
farmacêutica e outros tratamentos de saúde.
A região
nordeste sempre foi muito pouco estudada a respeito desse grupo. Na Paraíba,
alguns levantamentos de espécies foram produzidos até a década passada. No entanto,
hoje existe um grande esforço de pesquisadores para se conhecer melhor esses
animais. Rio Tinto e Mamanguape abriga um alto número de espécies de cobra,
porém, para acalmar os mais temerosos, a grande maioria delas é inofensiva aos
humanos. O grande problema é que com o avanço da sociedade na destruição de
seus ambientes naturais, as poucas espécies de importância médica (que pode
causar danos ao ser humano), também conhecidas como espécies peçonhentas, vêm
se adaptando muito bem aos ambientes antrópicos e são facilmente encontradas nos
quintais de residências, praças, ruas, etc. Em um trabalho realizado na Paraíba
em 2004, sobre acidentes com Jararacas, Rio Tinto ocupou o segundo lugar,
perdendo apenas para a capital João Pessoa.
As espécies de
importância médica conhecidas e já capturadas para os dois municípios são: a
Jararaca de rabo branco, a coral verdadeira, a cobra verde de jardim e a corre
campo (nomes comuns).
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Jararaca (Bothrops leucurus). |
Coral verdadeira (Micrurus ibiboboca). |
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Cobra verde (Philodryas olfersii). |
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Corre campo (Philodryas nattereri). |
A população
deve mudar a sua visão sobre um animal que, devido a questões culturais centenárias
e possuir uma aparência não muito atraente, sofre constante ameaça. Preservar
as serpentes é uma questão de saúde pública e contribui para melhorar a
economia, pois elas podem controlar as populações de pragas, e assim, há uma
redução no uso de inseticidas na agricultura, por exemplo.